← Cristo Redentor (estátua) guide

O EDIFÍCIO

Como o Cristo Redentor Foi Construído

A história de nove anos da estátua no Corcovado: o engenheiro, o escultor francês, o betão armado e a pele de pedra-sabão que lhe confere o rosto pálido.

Check dates and availability ↗

Uma ideia que circulou durante setenta anos

Uma monumento no Corcovado foi proposto já na década de 1850, quando um padre sugeriu uma estátua cristã em homenagem à família imperial, mas nada resultou da ideia e um plano posterior foi recusado. A versão que acabou por ser construída pertence à década de 1920, quando um círculo católico do Rio lançou uma campanha de subscrição para angariar fundos junto dos fiéis, em parte como resposta ao que consideravam ser um crescente secularismo. O local foi escolhido pela sua visibilidade, e não por qualquer tradição religiosa antiga: do cume, a figura seria avistada de quase toda a cidade. A aprovação chegou no início da década de 1920, e o engenheiro Heitor da Silva Costa foi nomeado para liderar o projeto e a construção de uma estátua que, até então, existia apenas como ambição cívica.

Heitor da Silva Costa e o design

O engenheiro brasileiro Heitor da Silva Costa é a figura mais responsável pela estátua tal como a conhecemos. Viajou até à Europa para desenvolver o projeto e resolver os problemas práticos de construir algo tão grande num pico exposto. Os primeiros conceitos, segundo consta, imaginavam Cristo a segurar uma cruz e um globo; a forma de braços abertos que acabou por ser escolhida lê-se, à distância, quase como uma cruz em si mesma. Silva Costa trabalhou com o artista Carlos Oswald na composição, e foi em França que o projeto se ligou ao escultor que viria a modelar a figura. Esta colaboração importa porque a estátua é genuinamente uma obra franco-brasileira: concebida e projetada no Rio, mas moldada por mãos num estúdio de Paris.

a figura de Landowski, o rosto de Leonida

O escultor franco-polaco Paul Landowski modelou a estátua no seu estúdio perto de Paris, trabalhando à escala e produzindo a figura em secções, e não como uma massa única. A cabeça e as mãos foram feitas separadamente, e o rosto — o pormenor que a maioria das pessoas fotografa — é atribuído ao escultor romeno Gheorghe Leonida. Os componentes foram fundidos, embalados e enviados por navio através do Atlântico até ao Rio, e depois içados até ao Corcovado, em muitos casos no mesmo comboio de cremalheira que hoje transporta os visitantes. Montar uma estátua deste tamanho num cume estreito, a partir de peças feitas a um continente de distância, foi tanto uma proeza logística como artística, e explica por que a construção se arrastou por quase uma década.

Porque betão armado, e não pedra

Uma estátua de pedra com estas dimensões naquele cume nunca foi realista — o peso e a exposição ao vento excluíam-na. A resposta estrutural veio do betão armado, com o engenheiro francês Albert Caquot, um dos principais especialistas em betão do seu tempo, creditado pela engenharia interna. O betão permitiu aos construtores criar uma estrutura oca, relativamente leve, mas forte o suficiente para resistir às ventanias que atingem regularmente o pico. A figura tem cerca de 30 metros de altura, aproximadamente 38 metros incluindo o pedestal, com uma envergadura de braços perto de 28 metros e um peso frequentemente citado em cerca de 635 toneladas. Essas medidas são amplamente referidas, e não algo que deva tratar como preciso ao centímetro, mas transmitem a escala: isto é um edifício com forma de pessoa.

a pele de pedra-sabão

O núcleo de betão cinzento é revestido por um mosaico de milhares de pequenos ladrilhos triangulares de pedra-sabão, uma pedra macia e clara, fácil de trabalhar e que resiste bem às intempéries. Esse revestimento é a razão pela qual a superfície se lê como clara e ligeiramente texturada, em vez de lisa ou de betão nu, e pela qual a estátua tem uma qualidade ligeiramente mosqueada de perto. A pedra-sabão foi escolhida pela durabilidade e trabalhabilidade, e aplicar os ladrilhos à mão em toda a figura foi um trabalho minucioso. Os relatos notam frequentemente que os ladrilhos foram montados em suportes e assentados peça a peça, alguns com inscrições no verso. As campanhas de restauro desde então têm reobtido e substituído ladrilhos, pelo que a pele que vê foi renovada ao longo das décadas, mesmo com a forma a manter-se constante.

Inaugurada em 1931

Após cerca de nove anos de trabalho, a estátua foi inaugurada a 12 de outubro de 1931. Desde então, permanece no Corcovado como a imagem definidora do Rio e, por descrição comum, a maior escultura Art Déco do mundo — a geometria limpa e estilizada da figura e do seu manto drapeado é claramente do seu período. Desde então, foi atingida por raios mais do que uma vez, restaurada várias vezes, iluminada, e em 2006 recebeu uma capela na sua base. O que começou como uma campanha de subscrição de uma sociedade religiosa tornou-se um dos objetos construídos mais reconhecidos do planeta, embora as escolhas essenciais de engenharia — betão por dentro, pedra-sabão por fora — permaneçam exatamente como a equipa dos anos 1920 as resolveu.

Check dates and availability ↗
Check dates and availability